O direito à saúde das pessoas refugiadas no Brasil: entre o reconhecimento normativo e os desafios da efetivação

O direito à saúde das pessoas refugiadas no Brasil: entre o reconhecimento normativo e os desafios da efetivação

Autores

  • Ana Luiza Seidel Carvalho Faculdade de Ciências Médicas de Itabuna
  • Ana Clara Souza Lima Afya Faculdade de Ciências Médicas de Itabuna, BA
  • Júlia Ribeiro Oliveira Campos Afya Faculdade de Ciências Médicas de Itabuna, BA
  • Maiana Aragão Duarte Afya Faculdade de Ciências Médicas de Itabuna, BA
  • Amanda Santos Alves Freire Afya Faculdade de Ciências Médicas de Itabuna, BA

DOI:

https://doi.org/10.29327/2654312.1.1-13

Palavras-chave:

Refugiados, políticas públicas, sistema único de saúde, Educação em Direitos Humanos

Resumo

Introdução: A intensificação de conflitos armados, crises econômicas e desastres humanitários impulsiona fluxos migratórios sem precedentes. O Brasil, alinhado a tratados internacionais de direitos humanos, tem recebido número crescente de refugiados, especialmente da Venezuela, Cuba, Haiti, Angola e Síria. Em 2024, 13.632 pessoas foram reconhecidas como refugiadas, aumento de 16,3% em relação ao ano anterior. Embora a Lei nº 9.474/1997 garanta igualdade de acesso a serviços públicos, persistem desafios na efetivação desses direitos, sobretudo na saúde, onde barreiras linguísticas, culturais e burocráticas dificultam o atendimento. Objetivo: Analisar os desafios enfrentados por pessoas refugiadas no acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS), com ênfase nos impactos das barreiras linguísticas, culturais e institucionais na efetivação do direito à saúde. Metodologia: Pesquisa documental e descritiva, de abordagem interdisciplinar, baseada na análise de fontes institucionais e científicas. Foram consultados documentos oficiais e artigos das bases SciELO e Periódicos CAPES, entre 2019 e 2024, utilizando descritores combinados por operadores booleanos, como “refugiados AND saúde AND SUS” e “imigrantes AND SUS AND saúde”. Resultados e discussão: Apesar do arcabouço jurídico sólido, a execução das políticas é fragmentada. O despreparo de profissionais diante de diferenças culturais e linguísticas compromete o cuidado e a adesão aos tratamentos. Estudos apontam que barreiras burocráticas e ausência de mediadores culturais limitam o acesso equitativo e evidenciam a necessidade de políticas intersetoriais entre SUS, SUAS e instituições de acolhimento. UBS ainda enfrentam xenofobia e vulnerabilidade social, exigindo capacitação permanente.

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Publicado

2026-04-29

Como Citar

1.
Seidel Carvalho AL, Souza Lima AC, Ribeiro Oliveira Campos J, Aragão Duarte M, Santos Alves Freire A. O direito à saúde das pessoas refugiadas no Brasil: entre o reconhecimento normativo e os desafios da efetivação. REBESBE [Internet]. 29º de abril de 2026 [citado 2º de maio de 2026];1(1). Disponível em: https://rebesbe.emnuvens.com.br/revista/article/view/177
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