Entre a punição e o abandono: a precarização e a invisibilização da saúde prisional
DOI:
https://doi.org/10.29327/2654312.1.1-19Resumo
Introdução: A saúde da população encarcerada evidencia desigualdades estruturais no Brasil, pois a superlotação, a insalubridade, a alimentação inadequada e o acesso restrito aos serviços de saúde aumentam a vulnerabilidade física e mental, favorecendo infecções, agravamento de doenças crônicas e transtornos psíquicos. Objetivos: Analisar como determinantes históricos e sociais contribuem para a precarização da saúde da população encarcerada no Brasil. Metodologia: Revisão narrativa da literatura, com abordagem descritiva e qualitativa, incluindo artigos publicados entre 2020 e 2025 nas bases SciELO, PubMed e LILACS, além de documentos oficiais sobre a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade (PNAISP). Resultados e discussão: A precarização da saúde prisional reflete desigualdades sociais e raciais que afetam grupos marginalizados. A superlotação, a falta de recursos e a insalubridade favorecem infecções e agravam doenças. A PNAISP apresenta implementação limitada, e a ausência de dados epidemiológicos reforça a invisibilidade. Considerações finais: Melhorar a saúde prisional exige políticas integradas, fortalecimento da PNAISP, equipes ampliadas, produção de dados e ações intersetoriais.
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