Coinfecção TB-HIV no Brasil: Um retrato das desigualdades e dos avanços em 14 anos de vigilância
DOI:
https://doi.org/10.29327/2654312.1.1-7Palavras-chave:
Vigilância Epidemiológica, Coinfecção, Tuberculose, HIV, BrasilResumo
Introdução: A coinfecção por tuberculose (TB) e HIV é um desafio relevante de saúde pública, com elevada morbimortalidade, em países de média e baixa renda. Pessoas vivendo com HIV têm maior risco de desenvolver TB ativa pela imunossupressão. Apesar dos avanços diagnósticos e terapêuticos, a persistência da coinfecção evidencia desigualdades sociais e fragilidades na integração entre programas. Objetivo: Descrever o panorama epidemiológico da coinfecção TB-HIV no Brasil entre 2010 e 2024, analisando tendências temporais e desafios no controle das doenças. Metodologia: Estudo ecológico, descritivo e retrospectivo, baseado em dados do SINAN/DATASUS. Incluíram-se casos de tuberculose com HIV positivo e casos de HIV/AIDS notificados entre 2010 e 2024, estratificados por ano e sexo. Os dados foram obtidos nos bancos SINAN – Tuberculose e SINAN – HIV/AIDS, com análise descritiva das frequências e variações. Por utilizarem dados públicos agregados, não houve necessidade de apreciação ética, conforme a Resolução nº 510/2016. Resultados e Discussão: Foram registrados 569.947 casos de AIDS e 153.059 casos de TB-HIV, com predominância masculina. Enquanto os casos de AIDS reduziram 57%, os de TB-HIV aumentaram, alcançando 14.821 notificações em 2024. Esse crescimento pode refletir a retomada das notificações pós-pandemia e melhorias diagnósticas, como o Teste Rápido Molecular. A persistência da coinfecção revela vulnerabilidades sociais, desigualdades regionais e diagnóstico tardio. Considerações Finais: A coinfecção TB-HIV segue como desafio no Brasil. É essencial fortalecer a integração entre programas, ampliar o diagnóstico precoce, garantir tratamento oportuno e reduzir o estigma, com políticas intersetoriais e atenção primária fortalecida.
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